Infelizmente, o 2º álbum do Coral Resgate para a Vida pela Salluz continua com o mesmo defeito do anterior: O Coral não vem junto! - É bom ouvir o disco do Coral da Igreja de Deus em Cristo da Zona Leste de São Paulo, mas ouví-los e vê-los ao vivo é uma das maiores experiências que a música pode oferecer a alguém. É a musicalidade sensível e poderosa dos cantores aliada a uma performance simplesmente incrível. Apesar do Coral não ir até sua sala pra você conferir isto que estou falando, o disco captura de forma ainda mais encorpada do que o primeiro disco o espírito do Coral. E a sonoridade está mais “coral”. Mais “timbrão” mesmo. Do ponto de vista da produção musical, eu já me declarei admirador da dupla Jeziel Assunção e William Augusto pessoalmente. Esses dois são ninjas de primeira linha, jogando em diversas posições sem que isso comprometa o resultado final do trabalho. Assinam instrumentos (destaque para o contra-baixo GORDO de sempre do William), arranjos e composições no álbum.
Se a influência do 1º álbum é “churchy” e apimentada com The Comissioned, neste a coisa se desenrola com sonoridades que remetem muito a concepções de arranjos de base à lá Fred Hammond (como nas duas primeiras faixas que abrem o disco prometendo verdadeiras pancadas na orelha do ouvinte) e sonoridades vocais mais trabalhadas no tempero do Kirk Franklin. Até uns arranjos de cordas me lembraram muito o ótimo álbum Hero do Kirk como o da lindíssima canção “Comigo Está”. O disco segue demonstrando um bela arquitetura com o melhor do Gospel moderno. Um Black Gospel cheio de guitarras e devidamente influenciado pelo Classic Rock (SIM, penso ser daí que essa meninada tipo Dietrick Haddon tem dado uma guinada na textura do Black Gospel, que andava meio cansado de suas fórmulas, mas de repente sou só eu que penso assim...). Na sequência ouvimos “Me levantarei” que além de linda, belamente cantada pelo conjunto coral e tudo mais, tenta nos enganar com o uso incidental do chorus de “More than anything” do Lamar Campbel que o Coral canta bastante ao vivo, MAS declaro aqui: isso não basta, meninos! Gravem esta versão. Se vocês estão esperando para incluí-la no set list do DVD ao vivo (coisa obrigatória!) eu relevo a falha… Bela balada!
“Não vamos desistir” traz um dueto explosivo dos irmãos Gabriel e da Jéssica. Meninos e meninas, ouçam o que eles fazem e se um dia der pra ir a um culto ou evento Gospel com o Coral prestem atenção no que eles fazem. É prova de que o Black nacional superou finalmente aquela chatice de melismas descolocados pra entregar leads bem feitos, bem desenhados e bem riffados. É uma aula de canto concentrada numa faixa! O Coral canta o refrão com uma energia absurda e nesta hora, pensei que o tinha gente cantando dentro do carro, tão envolvente é o resultado da faixa finalizada. A breve “O céu é real” é uma mensagem forte colocada com uma dose grande doçura vocal. Sem medo de errar, Melk Villar foi escalado pra iniciar abrir a canção. Olho nesse menino… “Escolhido”, de Marcos Rodrigues, é uma daquelas canções que você vai querer ouvir repetidas vezes, e o Nando Vianna entra solando com uma maturidade vocal e musical simplesmente assustadora! Novamente o arranjo instrumental veste uma canção do Marcos com maestria (tem música dele no 1º disco do Coral). Quando Jéssica Augusto entra na brincadeira depois da modulação, o que já estava bom demais chega a um ápice maravilhoso.
“Molda-me”, de Alexandre Malaquias (ninja da composição, poeta, músico excelente e alguém com quem se pode aprender muito sobre como construir boas canções) é uma canção especial demais. Chego a ter certo temor em escrever sobre ela… Trata-se de uma canção que sintetiza alguns ideais que tenho pra minhas próprias composições: simplicidade, profundidade e poesia de alta qualidade aliada a conteúdo bíblico. O arranjo, a interpretação do Coral, a sutilieza das cordas, tudo orna e seria suficiente, mas como o disco sempre dá um passo a diante, podemos ouvir o solo da Ellis Negress e aquela sessão coral aos 2:35 da faixa que é cavernosa. Uma faixa incrível e, para mim, o auge do disco!
“I just need you” é um problema! Eu explico: sempre tem alguém que me fala: “Ai, Jonas… Pra que essa mania desses Corais de cantar em inglês?” Em primeiro lugar, o Coral Resgate não é desses Corais… Em segundo lugar, a igreja de origem do Coral Resgate para a Vida é a Igreja de Deus em Cristo em Itaquera, identificada com a sigla COGIC3 (Church of God in Christ - e o número 3 tem a ver com a divisão distrital da Igreja aqui no Brasil segundo o que me explicou o elder da Igreja e meu amigo Wellington Primo). Enfim, trata-se de uma Igreja jovem aqui no Brasil mas uma das primeiras Igrejas Pentcostais estadunidenses sob a influência do avivamento da Rua Azuza. A presença de pastores e cantores da gringa na Igreja é grande e pelo que pude observar, lá se cresce sob esta influência musical e até cultural, MAS eles são brasileiros sim! Não é uma questão de “pagação de pedágio” para a cultura estadunidense, mas sim uma demontração pra lá de genuína de como são influenciados pelo Black Gospel e até de como reconhecem de onde vem e qual é sua principal influência estilística. Ufa… Dadas as devidas explicações, sigo: “I just need you” é uma bela canção do produtor William Augusto que conta com os vocais de Michael Santiago arriscando-se a gravar um lead tão característico de momentos espontâneos em Igrejas pentecostais negras americanas em inglês que não é sua língua mãe. Ele dá conta do recado com estilo e muita precisão! Já dei aula de inglês pra defender uns trocados lá pelos meus 18 anos e se fosse prova oral eu dava 9,25!
“Justificado pela graça” conta com um solo belíssimo da minha amiga (e colega de tempos de ULM, mas pelo amor de Deus, esconda aquelas fotos!) Dyani Primo e sua voz única cheia de sensibilidade e precisão! A canção é um belo 6/8 super Gospel com uma sessão com cara de ministração ao vivo da Denise Mariano com o apoio da banda, do Coral e do Hammond com sabor de Igreja pentecostal de verdade!
“Medley” fecha o disco com a voz espetacular do Melk Villar. É um timbre característico, um fraseado brilhante e uma voz inteira e totalmente dominada pelo seu dono no grave, no médio, no agudo e naquela região que nem deve ter nome ainda que ele atinge… Uma falta de senso de noção vocal! Vai indo, vai indo, vai indo e quando você ouve, pensa “Não… Ele não vai fazer isso… Ops! Ele fez…” -Melk é um jovem mestre de sua arte.
A finalização do disco é ótima. Mix do Luciano Marcian, clara com tudo aparecendo e dando lugar para as dinâmicas pensadas pelos produtores e aquela Masterização já elogiada aqui em diversas ocasiões assinada pelo “pai da matéria” Luciano Vassão. A arte do disco parece ter sofrido um pouco com a impressão do encarte… Não vi a imagem divulgada pelos canais da Salluz reproduzida com justiça no encarte físico quando peguei o disco na mão, mas nada que desabone a concepção e nem te impeça de adquirir este belo álbum do Coral Resgate para a Vida, e se não for pedir muito: Que venha o Ao Vivo!
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sexta-feira, 4 de novembro de 2011
terça-feira, 13 de setembro de 2011
Música aos vivos!
Bem, amigos...
Que fim de semana!
O último sábado foi marcado pela primeira apresentação em solo brasileiro do grande singer/song-writer/producer/bassist Fred Hammond e eu quase não fui ao show! Quase MESMO! Pensei assim: Show de graça, ao ar livre? Isso tem tudo pra ser uma furada daquelas... Externei o sentimento à minha digníssima esposa e ela fez uma cara que disse tudo. Era pra ir! Fred Hammond, pelo que me lembro, me foi apresentado pelo amigo baterista Daniel Wesley quando eu ainda me encantava pelos coros de Kirk Franklin e da cena Black metida a besta daqui de São Paulo, uma galera que naquela época tinha muito mais pose do que qualidade pra mostrar, salvo raras exceções como Silvera, Rogério Sarralheiro e Paulo César Baruk (que na época eu ainda associava a um cantor de black music e hoje tanto ele como os outros citados tem se mostrado muito mais do que apenas cantores de black music...). O Dan virou pra mim e disse: "Ei, você conhece o Fred Hammond?" num dia de futebol ali na quadra da Igreja Metodista em Vila Mazzei. Eu disse que não (não associei o nome à voz que já tinha me deixado de queixo caído no Comissioned) e fui atrás de conhecer o músico. Dali em diante, Fred Hammond tem sido meu maior modelo de compositor e produtor dentro da cena Gospel Internacional. Além disso, ele também é extremamente dotado como cantor com aquele timbrão cavernoso e um fraseado único, inimitável. Não dava pra perder a oportunidade de vê-lo ao vivo! Lá conheci o Fred Hammond "worship leader". Em outra língua, ele fez com que ali naquele estacionamento de Ginásio poliesportivo, quase uma dezena de milhares de pessoas se prostrassem em adoração e entrega ao Senhor num dos momentos mais significativos de Louvor e Adoração de que já participei na vida! O tradutor contratado do evento bem que tentava traduzir (e muito bem por sinal), mas a galera respondia imediatamente à direção do cara. Coisa do Espiírito Santo que traz essa línga comum que é o Louvor e a Adoração genuína!
Uma alegria imensa ver um dos grandes em ação. Uma banda impecável, um trio de BGVs exelente, arranjos e animais e aquela pegada instrumental realmente rara de se ver na vida! Tive a oportunidade de ir aos backstages onde (pra meu completo assombro) o cara me reconheceu dos papinhos com os quais eu o incomodo no Twitter me chamando de "Jonas, my tweet guy!"... Relevem: coisa de fan mesmo! Eu assumo que tieto! Apesar de que foi ele mesmo a me enviar uma DMzinha bastante prosaica perguntando se a corrente elétrica por aqui era 110 ou 220. Consegui um rápido papinho com o mestre, algumas fotos com "my tweet guy" e com os integrantes da banda. Coisa de fan!
Musicalmente, eu sabia que meu feriado ainda não tinha acabado: tinha o lançamento do EP do meu aluno celebridade no Domingo. Cansadaço, com as costas semi-arriadas eu me dirigi ao CCJ da Vila Nova Cachoerinha pra me juntar a mais umas quase 6 mil pessoas que sem TV, sem Jabá de rádio, sem esquema de divulgação atenderam a lógica de guerrilha urbana do Laboratório Fantasma e foram pra lá. Fizeram bem em ir. De lá de New York os produtores do EP Kslaam e Beatnick vieram pra tocar junto com o Leandro, o Rael da Rima o DJ Nyac e outros convidados incríveis como MV Bill e Izzy Gordon. Muito bom! Festa da boa... Meu pai contava das tais festas dos anos 70 onde os caras que rodavam os Vinis eram como arautos da música boa e traziam as coisas mais deeps possíveis pra galera dançar na rua ou na pista! Eu me senti numa dessas festas e fui lá ver o show no meio do povo igual fiz no do Fred mesmo tendo a tal pulseirinha VIP. Uma energia absurda! Dançante total! Um RAP novo, musical, sem frescura e sem pose de bandido mas também que não faz cara de bonzinho e faz a galera do gueto ir pra cima do Sistema com cara de mau, mas com idéia na cabeça e vontade de vencer pelo certo!
Passou um garoto do meu lado com uma camiseta do Sabotage, uma mochila surrada e contando um dinheiro meio amassado nas mãos. Não hesitei: cheguei nele e perguntei quanto era. Ele respondeu: "Cinco conto!" -eu disse:"Vê um aí!". A cena parece muito com qualquer coisa de errado, né? ZN, show de RAP, dinheiro pouco assim... Era o EP "Doozicabraba e a Revolução Silenciosa"! Nada de droga. Nada de ilícito! Era minha "cópia única Nº 229966" do álbum.
Emicida tocou durante horas e horas. Tocou TUDO e durante "Triunfo" eu gritei forte com a galera "A rua é nóiz!"
Musicalmente, um dos fins de semana mais estimulantes da minha vida!
Que fim de semana!
O último sábado foi marcado pela primeira apresentação em solo brasileiro do grande singer/song-writer/producer/bassist Fred Hammond e eu quase não fui ao show! Quase MESMO! Pensei assim: Show de graça, ao ar livre? Isso tem tudo pra ser uma furada daquelas... Externei o sentimento à minha digníssima esposa e ela fez uma cara que disse tudo. Era pra ir! Fred Hammond, pelo que me lembro, me foi apresentado pelo amigo baterista Daniel Wesley quando eu ainda me encantava pelos coros de Kirk Franklin e da cena Black metida a besta daqui de São Paulo, uma galera que naquela época tinha muito mais pose do que qualidade pra mostrar, salvo raras exceções como Silvera, Rogério Sarralheiro e Paulo César Baruk (que na época eu ainda associava a um cantor de black music e hoje tanto ele como os outros citados tem se mostrado muito mais do que apenas cantores de black music...). O Dan virou pra mim e disse: "Ei, você conhece o Fred Hammond?" num dia de futebol ali na quadra da Igreja Metodista em Vila Mazzei. Eu disse que não (não associei o nome à voz que já tinha me deixado de queixo caído no Comissioned) e fui atrás de conhecer o músico. Dali em diante, Fred Hammond tem sido meu maior modelo de compositor e produtor dentro da cena Gospel Internacional. Além disso, ele também é extremamente dotado como cantor com aquele timbrão cavernoso e um fraseado único, inimitável. Não dava pra perder a oportunidade de vê-lo ao vivo! Lá conheci o Fred Hammond "worship leader". Em outra língua, ele fez com que ali naquele estacionamento de Ginásio poliesportivo, quase uma dezena de milhares de pessoas se prostrassem em adoração e entrega ao Senhor num dos momentos mais significativos de Louvor e Adoração de que já participei na vida! O tradutor contratado do evento bem que tentava traduzir (e muito bem por sinal), mas a galera respondia imediatamente à direção do cara. Coisa do Espiírito Santo que traz essa línga comum que é o Louvor e a Adoração genuína!Uma alegria imensa ver um dos grandes em ação. Uma banda impecável, um trio de BGVs exelente, arranjos e animais e aquela pegada instrumental realmente rara de se ver na vida! Tive a oportunidade de ir aos backstages onde (pra meu completo assombro) o cara me reconheceu dos papinhos com os quais eu o incomodo no Twitter me chamando de "Jonas, my tweet guy!"... Relevem: coisa de fan mesmo! Eu assumo que tieto! Apesar de que foi ele mesmo a me enviar uma DMzinha bastante prosaica perguntando se a corrente elétrica por aqui era 110 ou 220. Consegui um rápido papinho com o mestre, algumas fotos com "my tweet guy" e com os integrantes da banda. Coisa de fan!
Musicalmente, eu sabia que meu feriado ainda não tinha acabado: tinha o lançamento do EP do meu aluno celebridade no Domingo. Cansadaço, com as costas semi-arriadas eu me dirigi ao CCJ da Vila Nova Cachoerinha pra me juntar a mais umas quase 6 mil pessoas que sem TV, sem Jabá de rádio, sem esquema de divulgação atenderam a lógica de guerrilha urbana do Laboratório Fantasma e foram pra lá. Fizeram bem em ir. De lá de New York os produtores do EP Kslaam e Beatnick vieram pra tocar junto com o Leandro, o Rael da Rima o DJ Nyac e outros convidados incríveis como MV Bill e Izzy Gordon. Muito bom! Festa da boa... Meu pai contava das tais festas dos anos 70 onde os caras que rodavam os Vinis eram como arautos da música boa e traziam as coisas mais deeps possíveis pra galera dançar na rua ou na pista! Eu me senti numa dessas festas e fui lá ver o show no meio do povo igual fiz no do Fred mesmo tendo a tal pulseirinha VIP. Uma energia absurda! Dançante total! Um RAP novo, musical, sem frescura e sem pose de bandido mas também que não faz cara de bonzinho e faz a galera do gueto ir pra cima do Sistema com cara de mau, mas com idéia na cabeça e vontade de vencer pelo certo!Passou um garoto do meu lado com uma camiseta do Sabotage, uma mochila surrada e contando um dinheiro meio amassado nas mãos. Não hesitei: cheguei nele e perguntei quanto era. Ele respondeu: "Cinco conto!" -eu disse:"Vê um aí!". A cena parece muito com qualquer coisa de errado, né? ZN, show de RAP, dinheiro pouco assim... Era o EP "Doozicabraba e a Revolução Silenciosa"! Nada de droga. Nada de ilícito! Era minha "cópia única Nº 229966" do álbum.
Emicida tocou durante horas e horas. Tocou TUDO e durante "Triunfo" eu gritei forte com a galera "A rua é nóiz!"
Musicalmente, um dos fins de semana mais estimulantes da minha vida!
sexta-feira, 25 de fevereiro de 2011
"Mas e música do Mundo, pode?"
De novo esse assunto, né? A gente roda, roda, roda e a questão continua a mesma: pode o crente, o músico crente, o "gospel fan" ouvir "música secular" (nomezinho que só perde em deselegância pro costumeiro "música gospel") "do Mundo"? Quando essa questão apareceu pra mim no meu curto e atrapalhado flerte com o fundamentalismo fanático confesso que não entendia bem de qual distinção se tratava. Naqueles tempos de adolescente eu tendia a poucas diferenciações em música. Tinha música que eu gostava e música que eu não gostava e ponto! Não era nem uma questão de música boa o ruim ainda. A questão era gosto. Gostava de Take 6 e detestava Bach! Achava que Bach era música de elevador... Gostava de Stockhausen e detestava Beatles (essa nem Freud explica...). Enfim, como um pequeno pernóstico em formação que eu era, gostava demais assim como detestava demais. Coisa de quem teima em se colocar ainda que não tivesse sido chamado! Com esta postura ganhei alguma coisa, mas perdi muito mais. Deixei de ouvir Bach desde mais cedo, deixei de ouvir Ópera desde mais cedo, deixei de ouvir Beatles desde mais cedo e meu mundo sonoro cresceu defasado e comprometido demais.
Depois de já bem formado como um jovem pernóstico a questão parecia superada. Como viver sem ouvir Stevie Wonder? Dogmática nenhuma me convenceria de que isso faz sentido! E eu nem sabia ainda que Stevie era COGIC... Como eu poderia abrir mão de Chico Buarque de Hollanda se não tinha nada igual no mundo cristão pra ouvir e deslumbrar? Enfim, a coisa de filtrar o que poderia fruir em arte na malha fina do que a Igreja permitia era estranho, como ainda é.
Um tempo depois me colocaram a questão do Cinema. "Como que você vai poder assistir a um filme degenerado como este novo do Kubrick aí?!" - quando esta frase se fez soar aos meus ouvidos resolvi deixar minha fruição artísitca na dimensão da alcova. Via e ficava quietinho, ouvia e ficava quietinho, cantava/tocava e ficava quietinho, ia no teatro e ficava quietinho. Só amigo íntimo sabia do meu fraco por David Lynch, Artaud, Chico, Miles, Elis e afins, muito mais "afinados" dos que as modas Gospel que iam e vinham e nas quais nunca encontrei identificação. Lá pelos idos de sei lá que ano, a onda black na cena Gospel me pegou. Templo Soul, Robson Nascimento, Baruk, FLG ( e eu nem sabia ainda que já era lá pra terceira "onda black" no Gospel brazuka...), mas sempre a escuta da maioria salvando estas citadas acima e pouquíssimas outras exceções, tudo soava cópia da cópia do rascunho do abjeto... Prefiria voltar pra Motown, pra produções do Q, pro Babyface, pro Randy Jackson. Quanto a uma música brasileira (seja lá o que isso possa significar!) o buraco sempre foi largo e profundo: só lá um ou outro ocasionalmente acertando alguma! Saudades do Sérgio Pimenta - mpbístico sem ter que ser poser e vociferar contra tudo e todos pra depois desdizer o dito como se fora "coincidência"... Lamentável!
Enfim, enquanto a MCC continuar escassa de qualidade e arte na lida da canção vai sobrar muito tempo pra ouvir MPB, Jazz, R&B, Rock, Música Erudita e afins...
"Pra não dizer que eu não falei das flores", tem muita gente aparecendo com ganas de escrever uma nova história! Já falei aqui do sensacional Multiforme do Baruk que quase levou o Grammy do ano passado, O Palavrantiga e seu trabalho inusitado, o ótimo Ainda não é o último... da Banda Resgate, o muito feliz disco solo de Luiz Arcanjo, tem esse menino de Brasília chamado Hélvio Sodré que é fantástico, o Grulha entre outros e espero que cada vez mais muitos outros!
Pra constar, desconfio que todos estes que citei ouvem muita "música secular" e talvez em doses cavalares até pra não se deixarem poluir do mais do mesmo que impera por aí.
Depois de já bem formado como um jovem pernóstico a questão parecia superada. Como viver sem ouvir Stevie Wonder? Dogmática nenhuma me convenceria de que isso faz sentido! E eu nem sabia ainda que Stevie era COGIC... Como eu poderia abrir mão de Chico Buarque de Hollanda se não tinha nada igual no mundo cristão pra ouvir e deslumbrar? Enfim, a coisa de filtrar o que poderia fruir em arte na malha fina do que a Igreja permitia era estranho, como ainda é.
Um tempo depois me colocaram a questão do Cinema. "Como que você vai poder assistir a um filme degenerado como este novo do Kubrick aí?!" - quando esta frase se fez soar aos meus ouvidos resolvi deixar minha fruição artísitca na dimensão da alcova. Via e ficava quietinho, ouvia e ficava quietinho, cantava/tocava e ficava quietinho, ia no teatro e ficava quietinho. Só amigo íntimo sabia do meu fraco por David Lynch, Artaud, Chico, Miles, Elis e afins, muito mais "afinados" dos que as modas Gospel que iam e vinham e nas quais nunca encontrei identificação. Lá pelos idos de sei lá que ano, a onda black na cena Gospel me pegou. Templo Soul, Robson Nascimento, Baruk, FLG ( e eu nem sabia ainda que já era lá pra terceira "onda black" no Gospel brazuka...), mas sempre a escuta da maioria salvando estas citadas acima e pouquíssimas outras exceções, tudo soava cópia da cópia do rascunho do abjeto... Prefiria voltar pra Motown, pra produções do Q, pro Babyface, pro Randy Jackson. Quanto a uma música brasileira (seja lá o que isso possa significar!) o buraco sempre foi largo e profundo: só lá um ou outro ocasionalmente acertando alguma! Saudades do Sérgio Pimenta - mpbístico sem ter que ser poser e vociferar contra tudo e todos pra depois desdizer o dito como se fora "coincidência"... Lamentável!
Enfim, enquanto a MCC continuar escassa de qualidade e arte na lida da canção vai sobrar muito tempo pra ouvir MPB, Jazz, R&B, Rock, Música Erudita e afins...
"Pra não dizer que eu não falei das flores", tem muita gente aparecendo com ganas de escrever uma nova história! Já falei aqui do sensacional Multiforme do Baruk que quase levou o Grammy do ano passado, O Palavrantiga e seu trabalho inusitado, o ótimo Ainda não é o último... da Banda Resgate, o muito feliz disco solo de Luiz Arcanjo, tem esse menino de Brasília chamado Hélvio Sodré que é fantástico, o Grulha entre outros e espero que cada vez mais muitos outros!
Pra constar, desconfio que todos estes que citei ouvem muita "música secular" e talvez em doses cavalares até pra não se deixarem poluir do mais do mesmo que impera por aí.
sábado, 30 de outubro de 2010
Lançamento do "Santifica-me" - Coral Resgate para a Vida
No dia 23/10 aconteceu o show de lançamento do CD “Santifica-me” do Coral Resgate para a Vida. O Espaço Supernova foi o local escolhido para receber o Coral com sua banda para uma noite de música de Louvor e Adoração ao vivo da melhor qualidade. Quem esteve presente pôde confirmar o carisma, musicalidade e unção do Coral que dá voz a um repertório poderoso registrado neste recente trabalho lançado pela Salluz Productions e assinado pelos talentosos produtores musicais William Augusto e Jeziel Assunção. O disco vem sendo muito apreciado e o show foi um retrato fiel do espírito do disco: Altos louvores ao Rei! Os cantores funcionam em conjunto como um mass-choir afinado com a mesma tradição de Richard Smallwood, Kirk Franklin, Hezekiah Walker e outros grandes ícones do Gospel, além de dar uma temperada com a ginga brasileira na sempre envolvente performance dançante do grupo. Os solistas também impressionam com vozes pra lá de precisas, ágeis e cheias de personalidade, tudo conduzido com a energia de Gustavo Mariano, regente do Coral. O pr. Ivo Mariano não perdeu a oportunidade de falar daquilo que Deus tem colocado em seu coração a respeito de Adoração, fechando o conjunto do sentimento que me envolveu ao chegar no evento, bem sintetizado no “chavão”: “We’re gonna have some Church up in here!” (Nós vamos ter uma Igreja nesse lugar!). O evento contou com a participação internacional de Aretha Scruggs da COGIC-California cantando algumas de suas canções, usando e abusando do talento que Deus a confiou. Certamente levará uma ótima impressão do Coral Resgate para a Vida, que é o Coral da COGIC3 na Zona Leste de São Paulo e não deve em nada para os corais da “matriz” em sonoridade, pegada e estilo. Com este novo trabalho o Coral Resgate para a Vida contribui com um novo fôlego para o já tão rico cenário Black do Gospel nacional.
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