em ocasião do post mais recente do Yuri Steinhoff.
Não entendemos nem "arte" como Arte ainda... Distinguí-la de entretenimento é luxo ao qual não se pode dar! Em ambientes de suposta arte sacra moderna então, só tenho dúvidas. Onde há arte? Nos panfletos ideológicos da esquerda militante forte nas Igrejas com apelo progressista? No afetismo emocionalóide dos carismáticos? No rigor formal e conteudístico dos tradicionalismos em todas as suas aparecências? Nem lá nem cá, né? Arte, obra de arte são fenômenos raros hoje em dia... Quase que forma e conteúdo não se tocam mais! Arte como τέχνη como queriam gregos não se justifica mais? Ars mais romana beirando um clipe orgiástico de novas Ladys? Simbolismos também não respondem aos anseios atuais? Que sobra? A procura! A procura sempre motivou qualquer Arte relevante. A Arte, o artista sabe que não encontrou, sabe que precisa do encontro, sabe que falta algo, por tanto uma arte que se dá a panfletagem é morta porque quer lançar ao outro ou a outro lugar algo que não é possibilidade, mas certeza. A Arte que só emociona é manca porque volta o homem pra dentro do homem e mata encontros. Só faz reverberar dentro do homem aquilo do que ele já estava cheio antes de encontrar a obra. A Arte formal expressa modelos muito bem, toca no que consideramos belo, conjectura sobre gôstos mil, mas também gera pouco porque nela cabe dizer "isto é certo" e/ou "isto é errado".
A Arte, então morreu? Será que um dia viveu?
"Arte" é só uma palavra... Às vezes, alguém consegue lançar algo dentro dela, seja num som, num gesto, numa imagem, num conjunto de tipos dispostos numa tela branca ou pedaço de papel, mas a "Arte" continua sendo só uma palavra!
Não subestime o poder de uma palavra...
Dizer errado é nova arte! Ars nova, protestante e questionável. É incluir o símbolo onde não há nenhum.
Ars - erat, aret tera.
Post Scriptum: Não tenho certeza de nada que escrevi neste post. Ainda estou a procura...
segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011
sexta-feira, 25 de fevereiro de 2011
"Mas e música do Mundo, pode?"
De novo esse assunto, né? A gente roda, roda, roda e a questão continua a mesma: pode o crente, o músico crente, o "gospel fan" ouvir "música secular" (nomezinho que só perde em deselegância pro costumeiro "música gospel") "do Mundo"? Quando essa questão apareceu pra mim no meu curto e atrapalhado flerte com o fundamentalismo fanático confesso que não entendia bem de qual distinção se tratava. Naqueles tempos de adolescente eu tendia a poucas diferenciações em música. Tinha música que eu gostava e música que eu não gostava e ponto! Não era nem uma questão de música boa o ruim ainda. A questão era gosto. Gostava de Take 6 e detestava Bach! Achava que Bach era música de elevador... Gostava de Stockhausen e detestava Beatles (essa nem Freud explica...). Enfim, como um pequeno pernóstico em formação que eu era, gostava demais assim como detestava demais. Coisa de quem teima em se colocar ainda que não tivesse sido chamado! Com esta postura ganhei alguma coisa, mas perdi muito mais. Deixei de ouvir Bach desde mais cedo, deixei de ouvir Ópera desde mais cedo, deixei de ouvir Beatles desde mais cedo e meu mundo sonoro cresceu defasado e comprometido demais.
Depois de já bem formado como um jovem pernóstico a questão parecia superada. Como viver sem ouvir Stevie Wonder? Dogmática nenhuma me convenceria de que isso faz sentido! E eu nem sabia ainda que Stevie era COGIC... Como eu poderia abrir mão de Chico Buarque de Hollanda se não tinha nada igual no mundo cristão pra ouvir e deslumbrar? Enfim, a coisa de filtrar o que poderia fruir em arte na malha fina do que a Igreja permitia era estranho, como ainda é.
Um tempo depois me colocaram a questão do Cinema. "Como que você vai poder assistir a um filme degenerado como este novo do Kubrick aí?!" - quando esta frase se fez soar aos meus ouvidos resolvi deixar minha fruição artísitca na dimensão da alcova. Via e ficava quietinho, ouvia e ficava quietinho, cantava/tocava e ficava quietinho, ia no teatro e ficava quietinho. Só amigo íntimo sabia do meu fraco por David Lynch, Artaud, Chico, Miles, Elis e afins, muito mais "afinados" dos que as modas Gospel que iam e vinham e nas quais nunca encontrei identificação. Lá pelos idos de sei lá que ano, a onda black na cena Gospel me pegou. Templo Soul, Robson Nascimento, Baruk, FLG ( e eu nem sabia ainda que já era lá pra terceira "onda black" no Gospel brazuka...), mas sempre a escuta da maioria salvando estas citadas acima e pouquíssimas outras exceções, tudo soava cópia da cópia do rascunho do abjeto... Prefiria voltar pra Motown, pra produções do Q, pro Babyface, pro Randy Jackson. Quanto a uma música brasileira (seja lá o que isso possa significar!) o buraco sempre foi largo e profundo: só lá um ou outro ocasionalmente acertando alguma! Saudades do Sérgio Pimenta - mpbístico sem ter que ser poser e vociferar contra tudo e todos pra depois desdizer o dito como se fora "coincidência"... Lamentável!
Enfim, enquanto a MCC continuar escassa de qualidade e arte na lida da canção vai sobrar muito tempo pra ouvir MPB, Jazz, R&B, Rock, Música Erudita e afins...
"Pra não dizer que eu não falei das flores", tem muita gente aparecendo com ganas de escrever uma nova história! Já falei aqui do sensacional Multiforme do Baruk que quase levou o Grammy do ano passado, O Palavrantiga e seu trabalho inusitado, o ótimo Ainda não é o último... da Banda Resgate, o muito feliz disco solo de Luiz Arcanjo, tem esse menino de Brasília chamado Hélvio Sodré que é fantástico, o Grulha entre outros e espero que cada vez mais muitos outros!
Pra constar, desconfio que todos estes que citei ouvem muita "música secular" e talvez em doses cavalares até pra não se deixarem poluir do mais do mesmo que impera por aí.
Depois de já bem formado como um jovem pernóstico a questão parecia superada. Como viver sem ouvir Stevie Wonder? Dogmática nenhuma me convenceria de que isso faz sentido! E eu nem sabia ainda que Stevie era COGIC... Como eu poderia abrir mão de Chico Buarque de Hollanda se não tinha nada igual no mundo cristão pra ouvir e deslumbrar? Enfim, a coisa de filtrar o que poderia fruir em arte na malha fina do que a Igreja permitia era estranho, como ainda é.
Um tempo depois me colocaram a questão do Cinema. "Como que você vai poder assistir a um filme degenerado como este novo do Kubrick aí?!" - quando esta frase se fez soar aos meus ouvidos resolvi deixar minha fruição artísitca na dimensão da alcova. Via e ficava quietinho, ouvia e ficava quietinho, cantava/tocava e ficava quietinho, ia no teatro e ficava quietinho. Só amigo íntimo sabia do meu fraco por David Lynch, Artaud, Chico, Miles, Elis e afins, muito mais "afinados" dos que as modas Gospel que iam e vinham e nas quais nunca encontrei identificação. Lá pelos idos de sei lá que ano, a onda black na cena Gospel me pegou. Templo Soul, Robson Nascimento, Baruk, FLG ( e eu nem sabia ainda que já era lá pra terceira "onda black" no Gospel brazuka...), mas sempre a escuta da maioria salvando estas citadas acima e pouquíssimas outras exceções, tudo soava cópia da cópia do rascunho do abjeto... Prefiria voltar pra Motown, pra produções do Q, pro Babyface, pro Randy Jackson. Quanto a uma música brasileira (seja lá o que isso possa significar!) o buraco sempre foi largo e profundo: só lá um ou outro ocasionalmente acertando alguma! Saudades do Sérgio Pimenta - mpbístico sem ter que ser poser e vociferar contra tudo e todos pra depois desdizer o dito como se fora "coincidência"... Lamentável!
Enfim, enquanto a MCC continuar escassa de qualidade e arte na lida da canção vai sobrar muito tempo pra ouvir MPB, Jazz, R&B, Rock, Música Erudita e afins...
"Pra não dizer que eu não falei das flores", tem muita gente aparecendo com ganas de escrever uma nova história! Já falei aqui do sensacional Multiforme do Baruk que quase levou o Grammy do ano passado, O Palavrantiga e seu trabalho inusitado, o ótimo Ainda não é o último... da Banda Resgate, o muito feliz disco solo de Luiz Arcanjo, tem esse menino de Brasília chamado Hélvio Sodré que é fantástico, o Grulha entre outros e espero que cada vez mais muitos outros!
Pra constar, desconfio que todos estes que citei ouvem muita "música secular" e talvez em doses cavalares até pra não se deixarem poluir do mais do mesmo que impera por aí.
terça-feira, 15 de fevereiro de 2011
3 Clipes
Pra começo de conversa: eu sou fascinado por video clipes! Lembro de que voltei correndo do colégio pra ver a estréia da MTV (pra, com o passar dos anos, perceber que não foi tão legal assim...). Meu pai tinha umas coisas em VHS que fizeram minha cabeça de criança: Talking Heads, um clipe de Sincronicity do The Police que sempre adorei, Shout do Tears for Fears e por aí vai. Com o passar do tempo comecei a me dar conta de que não haviam clipes de música Cristã. Na verdade, até existiam, mas pela bondosa mão do Senhor, fui poupado de vê-los quando criança e adolescente. Ao invés deles, via Titãs, Paralamas, Nirvana e tudo mais. Muito diretor de Cinema começou filmando clipe de banda de Rock! Daí, com o passar do tempo tive curiosidade de assistir clipes da "música Gospel" nacional. Ano passado meu asco de Clipe Gospel começou a diminuir um pouco conforme algumas produções foram se destacando pela qualidade e por um crescente abandono da estética brega que antes reinava. Quero destacar 3 clipes em especial que me provocaram sorrisos:
Sabe aquele tipo de clipe intimista, que só tem o cantor em paisagens pseudo-deslumbrantes? Pois é, pode ser um tiro no pé mas aqui texto e imagem conseguiram redimir uma fórmula aparentemente gasta ressaltando a simplicidade bonita que o Thiago conseguiu imprimir nesta canção.
Esse disco como um todo foi um presente de 2010! Não esperava um clipe assim tão divertido, confesso... No reino dos detalhes, a Banda Resgate está furando uma barreira dentro da cena Gospel do Brasil: estão podendo ser roqueiros beirando a meia idade divertindo-se plenamente fazendo canções. Por que a música Cristã tem de ser o tempo todo séria, profunda, existencial e em suma carrancuda? Esta canção nos faz lembrar das iluminuras medievais que os monges tradutores faziam nas beiradas dos livros, cheios de bom-humor e argúcia!
Esse é da Gringolândia. Da ótima banda The Arrows e traz uma foto-montagem marcando o texto de uma fortíssima apolgética da ética e moral cristã sem muita frescura e bastante criatividade, colocando o tal texto na boca de Satan, o pai de todas as mentiras. Os discursos moralistas e fundamentalistas são, não raro, marcados por péssimo gosto estético e merecedores de nota zero em poética. Esta é uma honrosa exceção.
O "Clipe Gospel" ainda está longe alcançar status artístico de ponta, mas algum progresso em aspectos técnicos são inegáveis. As velhas fórmulas "cantor olhando pro nada", "banda inteira tocando guitarra desplugada em galpão" ou filmagens de shows são ainda gastas a todo o tempo, mas acredito que novos profissionais que estão furando esta bolha de mercado começam a trazer coisas novas pra linguagem, dignificando ainda mais as produções da MCC. Pra finalizar, quero deixar aqui um clipe, um quarto clipe da música "secular" (aguarde um post sobre essa coisa de música secular que está no forno!) pra se ter uma idéia do que é possível fazer com simplicidade e beleza:
Paz a tod@s.
Sabe aquele tipo de clipe intimista, que só tem o cantor em paisagens pseudo-deslumbrantes? Pois é, pode ser um tiro no pé mas aqui texto e imagem conseguiram redimir uma fórmula aparentemente gasta ressaltando a simplicidade bonita que o Thiago conseguiu imprimir nesta canção.
Esse disco como um todo foi um presente de 2010! Não esperava um clipe assim tão divertido, confesso... No reino dos detalhes, a Banda Resgate está furando uma barreira dentro da cena Gospel do Brasil: estão podendo ser roqueiros beirando a meia idade divertindo-se plenamente fazendo canções. Por que a música Cristã tem de ser o tempo todo séria, profunda, existencial e em suma carrancuda? Esta canção nos faz lembrar das iluminuras medievais que os monges tradutores faziam nas beiradas dos livros, cheios de bom-humor e argúcia!
Esse é da Gringolândia. Da ótima banda The Arrows e traz uma foto-montagem marcando o texto de uma fortíssima apolgética da ética e moral cristã sem muita frescura e bastante criatividade, colocando o tal texto na boca de Satan, o pai de todas as mentiras. Os discursos moralistas e fundamentalistas são, não raro, marcados por péssimo gosto estético e merecedores de nota zero em poética. Esta é uma honrosa exceção.
O "Clipe Gospel" ainda está longe alcançar status artístico de ponta, mas algum progresso em aspectos técnicos são inegáveis. As velhas fórmulas "cantor olhando pro nada", "banda inteira tocando guitarra desplugada em galpão" ou filmagens de shows são ainda gastas a todo o tempo, mas acredito que novos profissionais que estão furando esta bolha de mercado começam a trazer coisas novas pra linguagem, dignificando ainda mais as produções da MCC. Pra finalizar, quero deixar aqui um clipe, um quarto clipe da música "secular" (aguarde um post sobre essa coisa de música secular que está no forno!) pra se ter uma idéia do que é possível fazer com simplicidade e beleza:
Paz a tod@s.
sexta-feira, 28 de janeiro de 2011
Som da Solidariedade
Voltando de férias atribuladas... Muitas catástrofes climáticas, amplificadas pela nossa ocupação e uso insano da terra e tudo mais!
Muita gente está se mobilizando pra atender as vítimas de Rio, São Paulo e Minas, e é uma alegria ver artistas de ponta da cena Gospel dispondo de seu tempo e talento pra congregar pessoas dispostas a fazer a diferença. O evento acontecerá na próxima segunda-feira 31/01 das 14:00 até as 22:00 no Espaço Redenção, situado na av. Jabaquara nº 123 em São Paulo.
Qual o diferencial deste evento?
Tenho informações seguras de que TODA a renda será revertida pra compra de todos os materiais e mantimentos necessários na sobrevivência dos atingidos pelas catástrofes e que neste mesmo intuito, todos os artistas e ministérios envolvidos abriram mão de seus cachês.
Há cantores de diversas denominações evangélicas e diversas gravadoras.
Ponto positivo pra estes nomes, e tenho certeza de que pra muitos outros também que talvez a agenda tenha impedido de assumir este compromisso com vidas e com o Reino de Deus.
Paz a tod@s!
terça-feira, 30 de novembro de 2010
Entrevista: Mauricio Soares
Entrevista com Maurício Soares, diretor executivo da Sony Music Brasil para o mercado Gospel.
1. Mauricio, fale um pouco sobre sua trajetória no mercado fonográfico até sua chegada na Sony Music neste ano.
1. Mauricio, fale um pouco sobre sua trajetória no mercado fonográfico até sua chegada na Sony Music neste ano.
Comecei a trabalhar no mercado religioso há 21 anos junto à área editorial onde atuei no marketing da Vinde Comunicações, editora que publicava os livros do Rev. Caio Fábio. Ali foi uma grande escola e já muito jovem tive oportunidade de lidar com grandes líderes, eventos e projetos. Depois fui convidado a trabalhar numa editora secular e nesta experiência desenvolvi mais o meu lado de relacionamento e comercial. Na seqüência recebi um novo convite da MK Publicitá para iniciar um projeto editorial e a área de marketing da empresa. A partir daí não saí mais do mercado fonográfico.
Depois de um bom tempo nesta empresa, optei por ter uma experiência de trabalhar e morar em São Paulo. Fiquei pouco mais de 4 anos morando e aprendendo muito naquela cidade e ali fui contratado para reerguer a Line Records que passava por uma crise bem grande. Na Line Records tive uma enorme experiência de gestão comercial e de marketing. Nesta empresa fiquei quase 6 anos e cheguei ao posto semelhante à vice-presidência de marketing, comercial e artístico. Depois de um bom tempo e o sucesso na empreitada assumi o desafio de trabalhar no ministério Toque no Altar.
O que no primeiro momento seria um tempo de tranqüilidade numa estrutura menor, tornou-se um dos meus maiores desafios, pois vivi todo o processo de cisão do ministério em apenas 10 dias de trabalho. Esta experiência foi a mais marcante para mim em termos profissionais e espirituais. Vivi e entendi intensamente o que é verdadeiramente depender do cuidado de Deus. Mesmo com todos os problemas, conseguimos refazer o ministério e o primeiro álbum já na nova versão vendeu mais de 200 mil cópias, um verdadeiro milagre!
Minha trajetória prossegue com a passagem pela Graça Music. Esta empresa não figurava entre as principais do mercado gospel nacional. Seu foco era tão somente atender às demandas da própria igreja. O cast artístico era bem reduzido e nada representativo no mercado. Em apenas 20 meses de gestão conseguimos conquistar o respeito do público e do mercado e ainda, aumentar o faturamento em 124%.
Todas estas experiências de conquistas, sucesso e de enfrentamento de grandes desafios me possibilitaram uma visibilidade no mercado e isto, sem dúvida, colaboraram para que a Sony Music me fizesse o convite para mais um desafio, talvez um dos maiores de minha carreira, ou seja, implantar um projeto de música gospel na maior gravadora do país. E pelos primeiros resultados, vejo que Deus continua com sua mão sobre a minha vida me abençoando bastante!
2. Qual a importância de uma gravadora com o peso da Sony Music abrir uma divisão específica para o Mercado Gospel Nacional? O que isto pode significar para a cena?
O que é sensível neste caso é a maior profissionalização do mercado gospel. Também entendemos que a visibilidade do mercado e dos artistas nas mídias e no mercado fonográfico secular aumentaram significativamente. A Sony Music é a maior gravadora do país com mais de 40% de market share. Nos EUA, a Sony Music é a maior gravadora de música gospel através dos labels Provident, Verity, Integrity Music, entre outros.
Uma das maiores novidades do ingresso da Sony Music no mercado gospel é a abertura do mercado digital de forma integral. Até pouco tempo atrás, mercado digital para as gravadoras era apenas a venda de ringtones ou coisas do gênero. Com a entrada da Sony Music o mercado digital significa ações de marketing com todas as operadoras de telefonia móvel, YouTube, MySpace, grandes projetos especiais, só para citar alguns.
3. Observando o cast da Sony Music no filão, percebo uma variedade bastante estimulante em termos de estilo. Isso foi intencional? Aconteceu de maneira natural ou foi uma tônica no processo dos convites aos contratados?
Se você me perguntasse qual seria o cast antes de começar o projeto na Sony Music, certamente eu teria dito a você nomes que hoje não estão na gravadora e muitos outros que vieram para nosso cast não estavam cogitados inicialmente. A montagem de um cast de qualidade é uma partida de xadrez com muita estratégia e paciência. Cada contratação foi feita sob muita análise e critérios. Eu apenas priorizei trazer nomes relevantes, artistas que têm um nome reconhecido no cenário gospel nacional como Cassiane, Renascer Praise, Resgate, Damares, entre outros.
Também estabelecemos que priorizaríamos a contratação de artistas do segmento pentecostal no primeiro momento e foi isso o que fizemos. Só que também buscamos artistas mais jovens e mesmo a contratação de um nome mais conceitual como Leonardo Gonçalves. Diria que hoje o cast da Sony Music está 80% definido e perto do ideal.
4. Imagino que a assessoria de imprensa seja uma das principais preocupações de uma gravadora na tarefa de solidificar a carreira de um artista. Como é este processo num filão onde parece se valorizar certa despreocupação com imagem em prol de quesitos supostamente ministeriais?
Temos incentivado os artistas a contarem com melhor estrutura de apoio. Esta questão está longe de ser a ideal para mim, mesmo em se tratando de artistas Sony Music. As dicas que escrevo em meu blog pessoal deveriam também ser lidas por nossos artistas, mas percebo que mesmo eles não atendem todas as minhas expectativas do artista e assessoria ideais. No caso da assessoria de imprensa no meio gospel há uma defasagem absurda entre o que é realizado e o que é o ideal. Geralmente os textos são muito mal escritos e há um amadorismo bem considerável. Como um todo, em se tratando de assessoria de imprensa e a própria mídia gospel, acho que ainda estamos muito aquém do mínimo de qualidade. Precisamos melhorar bastante esta situação!
5. Ainda neste tema: O artista Gospel ainda tem receio de se enxergar como artista?
O maior problema desse nosso meio é o discurso. O artista quer ser tratado como pastor ou como alguém num nível espiritual diferenciado. Só que grande parte deles tem atitudes de artista, com um ego elevadíssimo! Digo sempre que os 3 degraus que separam o backstage para o palco ou púlpito fazem uma transformação sobrenatural. Segundos antes de assumir o palco, o artista não atende ninguém no camarim, geralmente está com um semblante distante e a tensão impera o ambiente. Depois de subir ao palco, o artista vira um anjo com palavras de fé, um discurso biblicamente correto, enfim, há uma transformação e tanto! Isso não falo porque ouvi dizer, vivenciei e vivencio isso constantemente! Acho que esta questão precisa ser melhor trabalhada pelos próprios artistas e mesmo pelas lideranças e o público.
6. Percebo por seus comentários no belíssimo site Observatório Cristão e em outras oportunidades que você valoriza a fase de escolha de repertório nas produções. Vou fazer aqui uma pergunta meio arriscada: O que faz de uma canção um single de sucesso?
O refrão é algo importantíssimo para um single. O arranjo também tem uma força imensa. Na verdade, o single é aquela canção que se destaca no repertório e que vai se destacar também no playlist das rádios. Entre tantas canções executadas numa FM, o single tem que ter força para se destacar entre as outras músicas. Neste quesito, qualidade é fundamental!
7. Falando sobre o site Observatório Cristão. Você se considera um formador de opinião ou um crítico? E, na sequência, qual é o papel de sites e blogs como este?
Nem uma coisa, nem outra. Apenas escrevo no blog como um grande exercício de pensamento de dia-a-dia. Para mim é um prazer enorme escrever. Sou formado em Publicidade, mas também em Jornalismo e assim garanto que meus textos serão publicados, afinal também sou o editor-chefe do blog então acabo sendo mais condescendente com meus posts. Sei que pela minha posição atual, acabo sendo um formador de opinião, mas acho que nem sempre sigo a cartilha do “politicamente” correto, então acabo me tornando meio crítico também. Confesso que tenho posições bem determinadas sobre assuntos que gostaria de expor com maior veemência, mas minha posição profissional não me permite esta postura mais acirrada. Quem sabe se quando eu me aposentar poderei exercer com mais tranqüilidade esse lado crítico?
8. Quais são os projetos vindouros da Sony? Podemos esperar alguma ênfase na contratação de novos talentos?
Não deveremos ter muito mais contratações em 2011. Creio que com mais 4 ou 5 contratações fecharemos nosso ciclo de novidades. Sobre novos talentos, acabamos de contratar a Brenda, vencedora do Jovens Talentos do Raul Gil. Também entendo que o Marcus Salles pode ser considerado um novo talento, pois iniciou agora sua carreira solo. Também iremos lançar a Nádia Santolli que é um jovem talento, portanto, temos muito trabalho pela frente.
sexta-feira, 26 de novembro de 2010
Sony Music promove noite de confraternização com seu cast Gospel
Na última terça-feira aconteceu em São Paulo um evento bastastante aconchegante para midia, lojistas e players prmovido pela divisão responsável pelo mercado Gospel da Sony Music.
Assim que cheguei no local, me veio uma idéia de um balanço muito bem medido entre Simplicidade e Qualidade. Nada de pompa e circunstância, mas recém contratados ajudando a montar o som e o próprio diretor executivo da Sony, Maurício Soares, dividindo-se em supervisor do evento como um todo, MC segundo ele improvisado e recepcionista caloroso dos seus convidados.
Na abertura do evento Maurício deu um balanço destes poucos meses de atuação específica da Sony no filão com números expressivos, são cerca de 35 produtos, 3 discos de ouro, 2 disco de platina, o sucesso absoluto dos "Music Tickets" de Marcelo Aguiar e Michael W. Smith, tudo isso dentro da já gigantesca Sony Music Brasil que detém aproximadamente 40% do market share segundo números apresentados por Maurício.
Logo após esta abertura, uma oração abriu uma rodada de apresentações dos membros do cast da Sony com Além do Véu, Marcus Salles, Leonardo Gonçalves, Marcelo Aguiar e Damares. Também marcaram presença as cantoras Elaine de Jesus e Brenda Santos, a jovem ganhadora do concurso promovido no Programa Raul Gil com disco previsto para o primeiro trimestre de 2011 pela gravadora.
Destaco a força das canções de Marcus Salles que mesmo sem toda a habilidosa mão do produtor Jamba das versões registradas no seu novo disco se seguraram com muita personalidade na voz e violão do pastor/músico. Também impressiona sempre ver a precisão e paixão de Leonardo Gonçalves cantando acapella um Pai Nosso em hebraico e um belo produto congregacional com Além do Véu. A cantora Damares cantou seu single poderosíssimo mostrando que a música pentecostal pode (e deve) ser bem-produzida e receber um tratamento artístico de ponta. Elaine de Jesus deu informações sobre sua chegada à Sony, comentando os planos para os próximos meses e anunciando um video-clipe dirigido por Bruno Fioravanti, que já impressiona na qualidade do trabalho no video de Flores em Vida de Paulo César Baruk e que pude acompanhar trabalhando na capatação de imagens para o clipe do Coral Resgate para a Vida. O jovem diretor está trazendo um padrão de qualidade diferenciado aos video-clipes do mercado Gospel Nacional.
A Sony, com suas dimensões titânicas no mercado, certamente dará ainda mais respeitabilidade ao filão Gospel Nacional que já estava começando a se colocar de maneira mais agressiva como produto cultural da crescente população evangélica do Brasil. Comentou-se até que o produto "playback" eminentemente restrito à realidade do Gospel pode ser lançado por artistas seculares devido ao enorme sucesso observado no ano.
Deixei para o fim dizer que lá também estava a Banda Resgate, certamente um dos grandes destaques do cast da Sony com o lançamento Ainda não é o último - disco que já comentei aqui ter feito muita falta na corrida do Grammy Latino deste ano. O pastor Zé Bruno orou encerrando as apresentações e infelizmente não tocaram nada... Isso teria "feito minha noite" de maneira ainda mais completa. Em seguida, Maurício Soares anunciou que o cast não "sairia correndo", mas ficaria por ali para atender e interagir com os convidados. Como (ao menos pelo que percebi...) era eu o único "blogger" presente, aproveitei e pude conversar com a maioria do elenco e equipe da Sony Music.
Um belo evento!
Assim que cheguei no local, me veio uma idéia de um balanço muito bem medido entre Simplicidade e Qualidade. Nada de pompa e circunstância, mas recém contratados ajudando a montar o som e o próprio diretor executivo da Sony, Maurício Soares, dividindo-se em supervisor do evento como um todo, MC segundo ele improvisado e recepcionista caloroso dos seus convidados.
Na abertura do evento Maurício deu um balanço destes poucos meses de atuação específica da Sony no filão com números expressivos, são cerca de 35 produtos, 3 discos de ouro, 2 disco de platina, o sucesso absoluto dos "Music Tickets" de Marcelo Aguiar e Michael W. Smith, tudo isso dentro da já gigantesca Sony Music Brasil que detém aproximadamente 40% do market share segundo números apresentados por Maurício.
Logo após esta abertura, uma oração abriu uma rodada de apresentações dos membros do cast da Sony com Além do Véu, Marcus Salles, Leonardo Gonçalves, Marcelo Aguiar e Damares. Também marcaram presença as cantoras Elaine de Jesus e Brenda Santos, a jovem ganhadora do concurso promovido no Programa Raul Gil com disco previsto para o primeiro trimestre de 2011 pela gravadora.
Destaco a força das canções de Marcus Salles que mesmo sem toda a habilidosa mão do produtor Jamba das versões registradas no seu novo disco se seguraram com muita personalidade na voz e violão do pastor/músico. Também impressiona sempre ver a precisão e paixão de Leonardo Gonçalves cantando acapella um Pai Nosso em hebraico e um belo produto congregacional com Além do Véu. A cantora Damares cantou seu single poderosíssimo mostrando que a música pentecostal pode (e deve) ser bem-produzida e receber um tratamento artístico de ponta. Elaine de Jesus deu informações sobre sua chegada à Sony, comentando os planos para os próximos meses e anunciando um video-clipe dirigido por Bruno Fioravanti, que já impressiona na qualidade do trabalho no video de Flores em Vida de Paulo César Baruk e que pude acompanhar trabalhando na capatação de imagens para o clipe do Coral Resgate para a Vida. O jovem diretor está trazendo um padrão de qualidade diferenciado aos video-clipes do mercado Gospel Nacional.
A Sony, com suas dimensões titânicas no mercado, certamente dará ainda mais respeitabilidade ao filão Gospel Nacional que já estava começando a se colocar de maneira mais agressiva como produto cultural da crescente população evangélica do Brasil. Comentou-se até que o produto "playback" eminentemente restrito à realidade do Gospel pode ser lançado por artistas seculares devido ao enorme sucesso observado no ano.
Deixei para o fim dizer que lá também estava a Banda Resgate, certamente um dos grandes destaques do cast da Sony com o lançamento Ainda não é o último - disco que já comentei aqui ter feito muita falta na corrida do Grammy Latino deste ano. O pastor Zé Bruno orou encerrando as apresentações e infelizmente não tocaram nada... Isso teria "feito minha noite" de maneira ainda mais completa. Em seguida, Maurício Soares anunciou que o cast não "sairia correndo", mas ficaria por ali para atender e interagir com os convidados. Como (ao menos pelo que percebi...) era eu o único "blogger" presente, aproveitei e pude conversar com a maioria do elenco e equipe da Sony Music.
Um belo evento!
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segunda-feira, 22 de novembro de 2010
Dia do Músico (desabafar...)
Meu principal assunto aqui é a música e os músicos que as gravam, né. Logo é de se esperar que eu escrevesse algo sobre este dia, né? Pois é...
O problema é o seguinte: nem sabia direito quando era este dia e me pegou de surpresa num dia sem lá muito tempo ou inspiração para escrever. Um dia cheio de coisas para resolver, pepinos para descascar e músicas para ensaiar, letras para rever, versões para começar, agendas para decidir e aulas para dar! - Não dá para garantir um texto de alta qualidade, porque, como músico brasileiro em São Paulo, se não faço 600 coisas ao mesmo tempo, não consigo pagar minhas contas daí meu papo tenso seria com o Banco (que nem ao menos abriria ou manteria minha conta como ela é se meu registro fosse feito com a profissão de músico... Atuo como músico, mas meu registro não é feito como tal...)
O músico brasileiro é um tipo de trabalhor sub-valorizado que perde fácil na concorrência pra quem qer vender imagem e alimentar o mercado que consome obras de qualidade duvidosa... Nossa "Ordem dos Músicos" é algo assim, surreal, por assim dizer... Nossas tabelas sindicais são as tabelas menos observadas entre muitas classes, e, pra quem como eu, trabalha como músico ligado à Igreja ou à música Cristã temos o "Fator R$ 50,00" onde tudo (TUDO) vale, na cabeça dos "contratantes" a bagatela de 50 mangos...
Ser músico e conseguir sobreviver já é uma grande coisa, mas a verdade é que adoraríamos andar pra frente! Criar e divulgar coisas das quais, de modo geral, tivéssemos orgulho de ter produzido. Aqui, não estou cuspindo em pratos que já comi e nem no que estou comendo, até porque, passei da fase de aceitar fazer qualquer coisa e posso escolher meus trabalhos! Eles (meus trabalhos) só são muitos, porque a remuneração do músico brasileiro é baixa! Essa é a dura, nua e crua verdade da classe... Articulação quase zero! Muito pilantra aventureiro vendendo o ofício a preço de banana sem condição de entregar um bom trabalho, acabando com a condição de gente decente e esforçada trabalhar garantindo entretenimento e arte de qualidade. Vale lembrar também que entretenimento e arte são coisas distintas, sem que nenhuma seja absolutamente superior à outra! Mas a verdade, é que a suspensão destes limites fizeram com que nosso país, o país de Chico Buarque e Elis Regina passasse a discursar em defesa da "arte" de figuras caricatas que aqui me darei o direito de não mencionar...
Não temos muito a comemorar, não, fora a alegria de fazer o que fazemos todos os dias... Tocar, cantar, compor, gravar, arranjar e afins... Fica-nos este excesso de reticências e a pergunta que não cala nunca: Quando artistas serão vistos como profissionais numa terra que já importou tantos de tanta qualidade para o mundo todo?
Aliás, parabéns, colegas...
O problema é o seguinte: nem sabia direito quando era este dia e me pegou de surpresa num dia sem lá muito tempo ou inspiração para escrever. Um dia cheio de coisas para resolver, pepinos para descascar e músicas para ensaiar, letras para rever, versões para começar, agendas para decidir e aulas para dar! - Não dá para garantir um texto de alta qualidade, porque, como músico brasileiro em São Paulo, se não faço 600 coisas ao mesmo tempo, não consigo pagar minhas contas daí meu papo tenso seria com o Banco (que nem ao menos abriria ou manteria minha conta como ela é se meu registro fosse feito com a profissão de músico... Atuo como músico, mas meu registro não é feito como tal...)
O músico brasileiro é um tipo de trabalhor sub-valorizado que perde fácil na concorrência pra quem qer vender imagem e alimentar o mercado que consome obras de qualidade duvidosa... Nossa "Ordem dos Músicos" é algo assim, surreal, por assim dizer... Nossas tabelas sindicais são as tabelas menos observadas entre muitas classes, e, pra quem como eu, trabalha como músico ligado à Igreja ou à música Cristã temos o "Fator R$ 50,00" onde tudo (TUDO) vale, na cabeça dos "contratantes" a bagatela de 50 mangos...
Ser músico e conseguir sobreviver já é uma grande coisa, mas a verdade é que adoraríamos andar pra frente! Criar e divulgar coisas das quais, de modo geral, tivéssemos orgulho de ter produzido. Aqui, não estou cuspindo em pratos que já comi e nem no que estou comendo, até porque, passei da fase de aceitar fazer qualquer coisa e posso escolher meus trabalhos! Eles (meus trabalhos) só são muitos, porque a remuneração do músico brasileiro é baixa! Essa é a dura, nua e crua verdade da classe... Articulação quase zero! Muito pilantra aventureiro vendendo o ofício a preço de banana sem condição de entregar um bom trabalho, acabando com a condição de gente decente e esforçada trabalhar garantindo entretenimento e arte de qualidade. Vale lembrar também que entretenimento e arte são coisas distintas, sem que nenhuma seja absolutamente superior à outra! Mas a verdade, é que a suspensão destes limites fizeram com que nosso país, o país de Chico Buarque e Elis Regina passasse a discursar em defesa da "arte" de figuras caricatas que aqui me darei o direito de não mencionar...
Não temos muito a comemorar, não, fora a alegria de fazer o que fazemos todos os dias... Tocar, cantar, compor, gravar, arranjar e afins... Fica-nos este excesso de reticências e a pergunta que não cala nunca: Quando artistas serão vistos como profissionais numa terra que já importou tantos de tanta qualidade para o mundo todo?
Aliás, parabéns, colegas...
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